Chamaram-me para navegar. Aceitei, sem pestanejar nem pensar em consequências. Entrei a bordo e a sensação era maravilhosa. Meu peito ardia de paixão: misturavasse adrenalina com suas mãos frias e as palpitações desreguladas. Seu cheiro gostoso e úmido era agrádavel, mesmo com a maresia. Sorte nossa, azar meu.
O barco se afastava da margem, meus olhos não acreditavam que eu estava ali. Era confuso de acreditar que eu voltara a subir em um barco que não me proposionava colete salva-vidas. Eu deixava o barco se afastar. "Pule enquanto a tempo!" minha mente me alertava, meu coração não. Sorrir era o suficiente depois de caricias e abraços.
O avanço da embarcação agora era mais lento, o motor não havia sido ligado. Esperei que fosse ligado. Deixei o barco se afastar por conta da maré mas o vento não colaborava. Os ventos não estavam ao nosso favor. Azar nosso, sorte minha. Resolvi ancorar e esperar o motor ser ligado: não quero mais viajar a passos lentos. Sorrir não é mais o suficiente.
Sentei, com os pés para o mar, estava tão convidativo que pulei. Mergulhei fundo e vi peixes que sanavam meu desejo. Eu gostei de pular!
Volto a superfice, tomando folego para me levantar. Alguem me chama no barco, parece que estão querendo consertar o motor. Não quero subir! Quero nadar por novos mares sem continuar a bordo de uma embarcação. Não vou subir, não posso, não consigo. Coração, você fica ou vai comigo?
