Ao pensar em você deitado no sofá meu coração dói, eu estou prestes a te perder. Sinto que daqui a alguns dias eu vou bater na porta do seu quarto e ao abrir não verei sombras suas.
Ontem eu não suportaria ficar ao seu lado. Eu odiava tudo o que você gostava, e se gostava eu fazia todo um drama para que você por pura pressão me cedesse espaço dentre todos os seus amigos.
A menininha cresceu junto aos seus insuportáveis amigos e começou a ganhar forças, então começaram as brigas. Para você eu era toda errada: se desistia era fraca, se proseguia era chata, ao me misturar era falsa e ao me isolar estranha.
A: O que queres de mim?
I: Quero que seja gente!
Quanto mais cresciamos mais nos afastavamos. Você entrou na fase das garotas e eu continuei nas bonecas e videogames. Agora sem você. Continuavamos com todas as brigas, talvez mais frequentes do que antes. Eu, princesinha, sempre tive a razão na visão familiar, você explodia e guardava toda mágoa para a próxima briga.
A: Dele eu não desejo nada!
I: Dela eu não desejo nada!
Em algum momento as bonecas sumiram do meu quarto e me vi obrigada a assumir responsabilidades enquanto você fingia que não havia responsabilidades. Nós somos a prova viva de que a menina amadurece mais rápida que o menino. Eu me tornei novamente dependente de ti e passei a me descobrir mulher junto - até mais do que você desejava - dos seus amigos e de você. Agora as coisas corriam mais fáceis, as brigas raramente ocorrem e você é uma das poucas pessoas que realmente me conhecem. Era amor o que eu sentia, sempre fora, mas na minha percepção não passava de ódio por alguém que me tratava diferente do que eu era acostumada. Se por toda minha vida eu não fui sozinha foi porque você estivera comigo. No momento eu que suas responsabilidades surgiram você simplesmente as chutou, como se ninguém fosse cobra-las algum dia. Hoje eu cobro: cadê o herói que existia dentro de você?
O que eu quero de ti? Quero que sejas alguém!
